Imagens para você mostrar como sua linguagem pessoal é utilizada

Existe o testador de conjuntos, e aqui tem uma postagem com recomendações de como falar de como sua linguagem pessoal funciona. Eu sempre vou recomendar usar fontes mais completas quando possível, ao invés de arriscar explicações simplificadas demais que deixam pessoas sem entender muito.

Porém, infelizmente, algumas pessoas não querem prestar atenção em coisas chatas como textos sem imagens. Então fiz textos dentro de imagens.

Link para cá ou créditos são apreciados, mas não são necessários se você não tiver muito espaço pra isso ou se você só estiver falando para alguém numa conversa privada como sua linguagem funciona sem a pessoa ter interesse em saber onde você conseguiu a imagem.

Caso você queira algum conjunto que não esteja aqui, é só pedir, de preferência nos comentários desta postagem. Em nenhum momento estamos afirmando que as opções daqui são as únicas possíveis ou válidas!

A lista está organizada por ordem alfabética de pronome, depois de artigo, e depois de final de palavra.

Descrição: Todas as imagens possuem “Minha linguagem é [conjunto correspondente]” no topo, sendo que cada elemento tem artigo, pronome ou terminação embaixo. Depois, há exemplos separados de como tal artigo, tal pronome e tal final de palavra são usados.

Sem pronome:

Pronome ael:

-/ael/e

Pronome el:

Pronome ela:

a/ela/a

Pronome eld:

Pronome ele:

o/ele/o

Pronome éli:

Pronome elo:

Pronome elu:

Pronome élu:

-/élu/e

Pronome êlu:

Pronome ély:

y/ély/y

Pronome elz:

Pronome il:

Pronome ila:

Pronome ile:

Pronome ilo:

Pronome ilu:

Pronome ílu:

Pronome ily:

Pronome yl:

Mais títulos neutros/neolinguísticos

A. fez a seguinte pergunta:

Tem alguma forma de Rei/Rainha, Duque, etc?

Como já mencionamos nesta postagem, não existe regra certa. Você pode ler mais sobre isso aqui também.

Em inglês, opções para rei/rainha são listadas aqui. Monarca e governante são alternativas que funcionam em português, mas, se for pra ter exatamente o mesmo sentido, você pode tentar reinhe. Também pode tentar reine ou reinex. (Reinhe ou reine podem ou não ter final de palavra flexível.)

Quanto a duque/duquesa, eu geralmente prefiro a opção mais fácil, que é pegar a palavra que tem um final de palavra identificável (duquesa termina com a e é a palavra que provavelmente seria usada para alguém com final de palavra a) e transformar esse final num final flexível (duquese, duquesy, etc). Mas tem gente que prefere fazer um final diferente (como duquex ou duquene, sendo que duquene pode ter final de palavra flexível [duqueni/duquenae/duqueny/etc.]), e isso também é válido.

Resumindo: invente o que quiser, porque não existem padrões estabelecidos

– Ás

Sobre a palavra sáfica

A seguinte pergunta foi enviada:

Então todo o relacionamento entre mulheres a gente pode chamar de sáfico? mesmo sendo entre duas bissexuais ou até mesmo duas lésbicas?

Sim, o termo sáfico foi cunhado com a intenção de ser amplo, para englobar todas as mulheres que tivessem atração, exclusiva ou não, por outras mulheres. É um termo inclusivo não apenas por isso, mas também por definir relações sem remeter a orientações, pois é de senso comum chamar um casal de mulheres de lésbico, o que contribui com apagamento multi, a-espectral, etc.

Acho interessante ressaltar que pessoas não-binárias que são mulheres de alguma forma (demimeninas, certas pessoas gênero-fluído, mulheres-fluxo, etc.) também podem acessar esse termo se forem atraídas por mulheres.

~ Oltiel

Só pra reforçar bem:

Assim como está escrito aqui, a palavra sáfica pode ser usada de três formas.

a) Atração ou agrupamento baseado em atração: Uma mulher pan pode dizer “ai, eu sou tão sáfica” ao refletir sobre suas atrações por mulheres; um grupo para mulheres* que gostam de mulheres* pode se autodenominar um grupo sáfico;

b) Descrição de relacionamentos: Qualquer relacionamento entre mulheres* pode ser chamado de sáfico, independentemente das orientações das pessoas. Isso inclui relacionamentos entre duas mulheres lésbicas, entre duas mulheres bissexuais, entre uma mulher assexual e uma abrorromântica, entre uma mulher pan, uma mulher netúnica e uma mulher arromântica lésbica, entre três mulheres lésbicas e uma mulher polissexual, etc.;

c) Orientação: Alguém que só sabe sobre ser sáfique e que não tenha certeza sobre o resto, ou que se importe com essa parte de sua orientação, pode usar sáfique como orientação, ou como uma de suas orientações. Alguém pode se dizer sáfique e bi, ou mulher assexual demirromântica sáfica, ou pode só se identificar como mulher não-binárie sáfique.

* Isso cobre mulheres e pessoas que se consideram mulheres em algum aspecto, ainda que não sejam mulheres binárias, como apontado acima.

Também acho importante apontar que, como qualquer outro rótulo, é possível escolher não utilizá-lo. Um casal de mulheres pan pode preferir rotular seu relacionamento como pan ou como pluraliano, uma mulher lésbica pode não querer se dizer sáfica, ume mulher NB pode sentir que está sendo maldenominade ao ser chamade de sáfique.

Espero que, depois disso, suas dúvidas sobre o termo tenham sido resolvidas!

~ Ás

O sistema artigo/pronome/final de palavra

Apesar de já termos respondido algumas perguntas relacionadas a isso, e, inclusive, em uma delas já existem alguns links sobre conjuntos de linguagem, acho importante ter uma postagem especificamente sobre isso.

Texto da imagem:
Artigo/pronome/final de palavra
No contexto de um conjunto de linguagem:
• Artigo é o que vem na frente do nome: o Lúcio, i Erin
• Pronome substitui o nome: isto é dela, é ile ali
• Final de palavra (ou terminação) substitui o final das palavras com flexão “de gênero”: aluna, linde, meniny
E é assim que fica na prática:
o/ele/o • O Juno é fotógrafo. Essa câmera é dele.
ê/elu/e • Ê Juno é fotógrafe. Essa câmera é delu.
-/ily/y • Juno é fotógrafy. Essa câmera é dily.
a/-/i • A Juno é fotógrafi. Essa câmera é di Juno.
Saiba mais: orientando.org/o-que-e-neolinguagem
Dúvidas? ajudanhincq.wordpress.com/pergunte
Fonte da imagem de fundo

Sugestão: salve esta imagem e a compartilhe em grupos de chat, especialmente quando você for explicar sua linguagem neste sistema.

O sistema a/p/f, ou a/p/t (com t significando terminação), foi criado há alguns anos, para suprir a necessidade de explicar de forma rápida e resumida o conjunto de linguagem pessoal de alguém. Em inglês, os formatos utilizados só usam pronomes, mas, em português, isso não funciona bem.

Um final de palavra é necessário, porque ele nem sempre é igual à letra final do pronome. Alguém que usa o pronome ele geralmente vai usar o final de palavra o, enquanto alguém que usa o pronome elu geralmente vai usar o final de palavra e. A primeira presunção é óbvia para quem está acostumade com a língua portuguesa, mas a segunda não é.

Além disso, separar o final de palavra do pronome dá a possibilidade de pessoas usarem finais de palavra ou pronomes que não são considerados “óbvios”, ou concordantes: ele/e, elu/u, ile/o.

Já o artigo é separado porque, ainda que nas linguagens padrão (a/ela/a e o/ele/o), o artigo seja o mesmo que o final de palavra, os finais de palavra mais populares entre pessoas que se esforçam para escrever de forma neutra e pessoas não-binárias são x e e; como artigos, um deles causa incerteza sobre a pronúncia (como final de palavra, é só não pronunciar a letra x, e a palavra ainda será entendível), e outro já existe como outra palavra (uma conjunção aditiva).

Em resposta a isso, foram criados novos artigos, como ê e le, que não funcionam tão bem como finais de palavra populares. Assim, é importante também sinalizar o artigo, para que pessoas possam diferenciar e/elu/e de ê/elu/e e de le/elu/e. Isso também dá a liberdade de usar conjuntos como a/ele/e, o/ela/a, le/ile/o, entre outros.

Esta postagem já está longa, então, ainda que eu quisesse entrar em outros assuntos, vou parar por aqui. Quem quiser saber mais sobre o motivo disso tudo ser importante, vou deixar algumas leituras aqui:

PS: Falar sobre seu conjunto de linguagem é importante mesmo que você use a/ela/a ou o/ele/o. Dizer que você usa o pronome ela sabendo que a grande maioria vai saber que isso significa a/ela/a impede que pessoas usem conjuntos como al/ela/ae sem terem que explicar o que isso tudo significa, enquanto usar a/ela/a normaliza a ideia do artigo e do final de palavra.

Nossas redes sociais, e como serão as interações

Agora temos uma conta de Twitter em AjudaNHINCQ, e uma conta no Fediverso em AjudaNHINCQ@colorid.es.

Elas são principalmente para gerar postagens automáticas a partir deste blog.

Ou seja, nosso método principal de receber perguntas ainda será pelo nosso formulário, e nosso objetivo é que o método de interação principal seja por comentários no blog, não por essas contas.

A conta no Twitter pode ser mais usada para falar mais sobre conteúdo NHINCQ+, que será postado no Mastodon. A conta no Mastodon será pouco usada, porque enquanto tudo que funciona no Twitter funciona no Mastodon, nem tudo que funciona no Mastodon funciona no Twitter, em questão do que pode ser postado (limite de caracteres, emojis personalizados, avisos de conteúdo, etc).

Caso tenham interesse em conteúdo NHINCQ+ no Fediverso, sugiro checar a instância colorid.es, e contas como @termos, além de contas pessoais de pessoas que postam sobre esse tipo de assunto.

Futuramente, teremos páginas falando sobre nossa equipe e sobre como fazer contato, mas por enquanto, isso é só.

~ Ás

Termos para a família

A., que usa o pronome ele, fez o seguinte pedido:

Eu queria seriamente saber o neutro de Pai/mãe e variados tipo Vô/Vó

Não existem palavras reconhecidas para funções do tipo. Qualquer palavra que você escolher usar vai ter que ser explicada para a maioria das pessoas, inclusive as familiarizadas com neolinguagem.

Uma opção é usar palavras que possuem significados diferentes desses que você citou, mas que, dependendo, podem servir, como parente, responsável, familiar ou (pro)genitore.

A outra é usar alguma opção proposta mas pouco usada, ou cunhar algo que lhe agrade.

Algumas propostas podem ser encontradas aqui e aqui.

Em relação a cunhar algo novo, eu tenho uma observação a fazer: é possível fazer dois tipos de palavras do tipo.

Uma seria uma palavra neutra, no sentido de que valeria independentemente do gênero e da linguagem da pessoa. Por exemplo, rês é uma versão curta de responsável, e portanto não mudaria entre uma pessoa que usa -/elu/e e i/ily/y. Também poderia ser usada por pessoas que estão confortáveis com mãe ou pai, em vários (mas não todos) os casos.

Outra seria uma palavra que muda de acordo com o final de palavra. Por exemplo, atore (versão com final e de ator/atriz) seria para pessoas com final de palavra e, enquanto uma pessoa com final de palavra ae se diria atorae, e uma pessoa com final de palavra x se diria atorx.

Para mãe/pai, eu pessoalmente prefiro versões com n, como nai/nanai/nane. Eu também gosto da ideia de usar a sílaba fa e completar com um final de palavra, como em fae (final e), fay (final y) ou fá (final a).

Para avó/avô, acho que talvez avo (pronúncia: á-vo) poderia servir, assim como avu (pronúncia: a-vú). Talvez usar o final de palavra para variações em vovó/vovô, como vevé ou vevê, vyvy ou vaevae, sendo que pessoas NB que usam final a poderiam usar vavá e quem usa final o poderia usar vovo (pronúncia vô-vo)? Isso pode ficar meio confuso, mas acho que é uma questão de costume.

Enfim, experimente e veja o que acha melhor. Ao menos no momento, não existem muitas regras fixas.

Quanto a “variados”, não sei bem o que você precisa, já que essas seriam as variações mais difíceis. Irmane? Tie? Prime? Sobrinhe? Cunhade?

Enfim, espero ter ajudado.

~ Ás

Além do que Aster respondeu, seguindo as lógicas usadas nas outras páginas e aqui nessa postagem, eu sugiro algo que pareça com as terminações -ãe e -ai (de mãe e pai). Pensamos em -aê. Daí poderíamos ter as palavras faê, naê e baê. (e talvez fafaê, nanaê e babaê). Pensei em faê como uma alternativa neutra que engloba também mães e pais. Mas pode ser só uma opção alternativa assim como as outras, dependendo de qual a pessoa gostar.

Sei que a princípio são termos estranhos e parece que nunca vão se espalhar, mas também acredito ser questão de costume. Cunhar palavras novas, ainda mais seguindo as raízes, é bem difícil. Por ora, acho que é isso.

~ Oltiel

Sobre comunidades e conjuntos

Hash enviou as seguintes perguntas:

Eu sou polixenogênero e não tenho muito contato com comunidades não-binárias em português. Tudo que eu encontrei de material NB popular eram definições básicas ou grupos sem muito conhecimento ou foco em xenogêneros. Eu gostaria de saber se existem grupos por aí em português aonde seja normal falar das próprias experiências xenogênero.

Também gostaria de sugestão de linguagem. Uso ae/aer em inglês por ser algo que remete a ar (meu elemento de gênero é éter, que é ar + espírito). Prefiro ter apenas um conjunto ao ficar trocando quando os gêneros mais presentes em mim mudam. O elemento de gênero ar significa fluidez e usar ar como base para um conjunto me contempla como pessoa xenogênero. Dito isso, prefiro que o final de palavra seja uma letra só, como e, y ou i. Também não gosto de a, e, o, ae, ao, oa, x ou y como artigos. Sei que posso só cunhar algo pra me contemplar, mas eu queria saber das sugestões de vocês.

Já agradeço pelas respostas!

Infelizmente, não conheço comunidades focadas em pessoas xenogênero, ou que tenham muitas pessoas xenogênero, em português.

(Sinceramente, não conseguiria nem indicar grupos mais específicos do que NB, trans ou gênero-fluido, ainda que eu saiba que existem homens NB, mulheres NB, pessoas do espectro agênero, pessoas NB transfemininas e pessoas NB transmasculinas suficientes para fazer grupos entre si, se assim desejassem. Mas realmente não conheço muitas pessoas xenogênero lusófonas.)

Se você deseja espaços inclusivos de pessoas xenogênero… tem a instância de Mastodon que administro, colorid.es, e um fórum que administro em http://orientando.org/forum, além de alguns servidores de Discord (um do Orientando, um para treinar neolinguagem, e um para/sobre este blog). Se quiser, depois é só falar comigo em Aster#3972 para eu te convidar para esses servidores.

Sobre o conjunto:

Em relação a um artigo, posso sugerir: ea, el, en, le, i, fe ou não usar nenhum.

Em relação a um pronome, talvez algo como ael, ale, el, elae, éli, elz, il, íli, ily ou yl?

Em relação a um final de palavra… acho que você já respondeu por si? Não existem muitas alternativas pronunciáveis em relação a finais com uma letra só. Se e, i e y não te agradam, só se for algo como x (pronúncia muda), z, s ou é.

~ Ás

PS: Acredito que muita gente possa não ter entendido alguns termos nesta postagem, então aqui estão alguns links que podem ajudar quem se dispõe a aprender mais:

O que são xenogêneros?

O que são elementos de gênero (em inglês)

Elemento alteriano (ligado ao elemento espírito): Um elemento de gênero xenino (em inglês)

Elemento ventuliano (ligado ao elemento ar): Um elemento de gênero vago/indefinido/difícil de definir (em inglês)

Elemento eteriano (éter; ar + espírito): combinação dos elementos alteriano e ventuliano (em inglês)

Exemplos de artigos, pronomes e finais de palavra que incluem neolinguagem

Testador de conjuntos

Agênero e gay

Esta postagem é para responder à seguinte pergunta:

olá. durante muito tempo me identifiquei como um homem cisgênero, mas há algum tempo essa identidade já não me contempla mais. Hoje eu me identifico como não binário, principalmente numa identidade neutra de gênero (ou agênera). Apesar de eu não mais me identificar como homem, eu sinto que tenho questões e experiências ainda alinhadas a hombridade, principalmente quando o assunto é sexualidade (tenho atração por homens). Devido a isso eu ainda me identifico sexualmente como gay. O que vocês acham? Muito gente da comunidade gay diz que sou apenas gay, enquanto o pessoal da comunidade não binária diz que invalido identidades nb. =/

Historicamente, a identidade gay pertenceu a homens atraídos sexualmente apenas por outros homens. Essa conotação binária e sexual permanece até hoje, infelizmente. A identidade agora é acessível e reivindicada por homens assexuais e do espectro assexual que se atraem apenas por homens, pois as relações gays não envolvem apenas sexo, mas também afetividade, romanticidade, e outros tipos de relação. Um homem gay também pode se atrair por gêneros similares ao homem.

Você pelo visto sabe o conceito de alinhamento de gênero. Pois bem, pessoas alinhadas com o gênero homem podem acessar identidades feitas para homens. Então, por essa perspectiva, você pode se dizer gay. Essa apresentação sua pode não deixar em evidência que você é não-binário, mesmo que ela seja confortável de usar em certos espaços. Se você não se importar com isso, então está tudo bem.

Agora, se é importante também evidenciar sua não-binariedade, talvez a identidade gay não seja a melhor para seu caso (embora você ainda possa usar quando e onde quiser). Há uma identidade de atração específica para pessoas não-binárias (em geral) que se atraem por homens, exclusivamente ou pelo menos na maior parte do tempo): vir- (sexual, etc).

Você pode ver em certos espaços brasileiros pessoas usando a identidade andro-. Ela, assim como gine-, são controversas porque trazem uma conotação de atração por genitálias, o que é algo problemático e opressivo. Vir- é uma alternativa melhor e bem aceita.

E ressalto que você pode usar ambas identidades, gay e vir-, em espaços diferentes se assim quiser. Elas podem ser suas ao mesmo tempo.

A resposta da comunidade gay parece invalidar sua não-binariedade e/ou seguir a lógica do “mesmo sexo biológico”, o que é problemático. E a resposta da comunidade n-b parece ser apenas desconhecimento da flexibilidade da identidade. Bom, acredito que seja só isso que tenho a dizer.

~ Oltiel


É muito comum que pessoas sem muito contato com pessoas não-binárias (inclusive pessoas NB que participam de espaços pouco diversos e com pouco espaço pra falar da diversidade de experiências NB) invalidem qualquer tipo de identidade que simplesmente… não sabiam que podia existir. Então, sim, sua identidade é válida.

Já citaram a identidade viramórica (virsexual/virromântica/etc.), também existe ma-/home-/homem- (massexual, homerromântico, etc.), e, se você é agênero, eu também posso citar a orientação yae- (yaessexual/yaerromântica/etc.), que foi cunhada recentemente para denotar atração de alguém agênero por homens. Se você prefere algo mais aberto, existe mascúlique (alguém LGBTQIAPN+ que sente atração por homens, exclusivamente ou não).

Se você considera que “ser homem” ainda faz parte de sua identidade de alguma forma (mesmo que seja pelo alinhamento de gênero), você pode se dizer homem agênero gay, ou homem gênero neutro gay, ou homem NB gay, o que evidencia tanto que você é homem e se atrai somente por homens, quanto que você não é uma pessoa binária. A invalidação ainda vai existir, mas ao menos você está explicando o que quer dizer com gay.

Talvez não seja o seu caso, mas conheço muitos casos de pessoas se apegando a uma conexão a um gênero binário que não está realmente lá por terem participado bastante de comunidades lésbicas/gays antes de se descobrirem NB. Realmente não existem muitos espaços para pessoas dóricas (não-binárias e atraídas por homens, exclusivamente ou não), em comparação com espaços para pessoas aquileanas (de homens que se atraem por homens, exclusivamente ou não), o que pode isolar alguém que quer se assumir NB. Talvez você queira refletir sobre isso e ver o que é melhor pra você.

Espero que nossas respostas tenham ajudado, e desejo boa sorte em sua jornada!

~ Ás

Discussão: como criar crianças sendo NHINCQ+

Sabemos que vivemos num mundo intolerante contra pessoas NHINCQ+.

Bebês são designades como homem ou mulher ao nascimento, sendo que mesmo no caso de bebês intersexo, é obrigatório o registro como um sexo binário.

A maior parte dos nomes é considerada “nome de mulher” ou “nome de homem”, e a maior parte das roupas também carrega essa divisão. Ainda que crianças não tenham nenhuma característica física perceptível que determinaria seu gênero dentro das normas cissexistas, pessoas em volta vão forçar gêneros e/ou papeis de gênero em crianças e ensinar cada criança a fazer o mesmo.

Ou seja, uma criança com o nome de Bruno vestida com calças largas e camiseta de super-herói provavelmente vai ser tratada com a linguagem o/ele/o, vai ser chamada de “homenzinho”, vai ser pressionada a ver meninas da mesma idade como “possíveis namoradinhas”, vai ser colocada “no lado dos meninos” quando houver esse tipo de divisão, e por aí vai.

Também é bastante possível que essa criança não será ensinada a usar algum tipo de linguagem neutra para se referir a pessoas que não conhece; que não será ensinada que alguns meninos gostam de meninos e que algumas meninas gostam de meninas; que é possível não gostar de ninguém desse “jeito especial” e que também é possível gostar de meninos E meninas E possivelmente de pessoas que não se encaixam nessas palavras também. Assim como provavelmente não vai aprender sobre a diferença entre gênero e sexo, sobre pessoas trans, sobre pessoas NB, sobre pessoas intersexo.

Mas algumas pessoas podem ter filhes e querer ensinar ao menos sobre algumas dessas coisas, pois querem que sues filhes cresçam respeitando essas diferenças, ou, principalmente, porque são pessoas NHINCQ+ e querem rebater essas mensagens nocivas da sociedade.

E então? Se você tem filhes, como está sendo a criação delus, em relação a isso? Se você pretende ter, como tratará desses assuntos? E, mesmo se não pretende ter, o que você acha que faria? Mande seu comentário abaixo!

Assunto sugerido por Cas. Postagem por Ás.

Limitações de conjuntos

Resposta para Vini, que perguntou:

Tem como diferenciar quem não quer usar final de palavra no sentido de querer que usem palavras “universais” (ex: a pessoa é válida), e quem não quer usar final de palavra no sentido de querer que cortem o final (ex: [nome da pessoa] é válid)?

No momento, não existe nenhum tipo de código universal que sirva para isso.

Eu já usei (e ainda aceito) ‘ como final de palavra (exemplos: administrador’, alun’, amig’), que ainda “ocupa” um caractere, mas que em geral as pessoas sabem que não é para pronunciar. Uma das formas de usar x como final de palavra é também sem nenhuma pronúncia na fala oral. Mas entendo que possam existir pessoas que preferem só palavras como administrador/alun/amig, sem mais nada.

O que eu posso sugerir, além de perguntar para cada pessoa que preenche – no final de palavra o que preferem, é algum tipo de símbolo novo.

Por exemplo, – pode significar que a pessoa quer que o elemento seja cortado e que continue assim mesmo, enquanto ~ pode significar que tal elemento seja evitado com algum tipo de referência a outras palavras. Como:

  • -/-/-: Um estudante daquela escola passou por aqui agora pouco. Deve estar atrasad.
  • ~/~/~: Uma pessoa que estuda naquela escola passou por aqui agora pouco. Essa pessoa deve estar atrasada.

Porém, pode ser meio complicado fazer com que as pessoas lembrem disso, já que nem lembram de coisas como [r] (para elemento rotativo) ou [q] (para qualquer).

Pensando bem, talvez algo como [NA], [n/a], [n] ou [s] possa ser mais explicativo do que ~? Depende do que outras pessoas acharem melhor.

~ Ás