Vocabulário usado em círculos NHINCQ+ inclusivos

Aviso de conteúdo: Por ser um texto explicativo, esta postagem conterá exemplos de retórica anti-NHINCQ+ (e ocasionalmente opressiva contra outros grupos também) em diversos aspectos, além de menções a termos obsoletos/inadequados.


 

Muitas vezes, espaços NHINCQ+ só consideram vocabulário básico saber o que significam certas orientações, identidades de gênero, modalidades de gênero, corporalidades e nomes de opressões específicas para certos grupos (como homomisia [“homofobia”] ou transmisia [“transfobia”]).

Podem até mesmo não explicar tais conceitos direito, em nome de “deixar as coisas mais fáceis” (ainda que isso deixe as coisas mais difíceis por conta de ser difícil combater a desinformação).

Em espaços mais inclusivos, queremos não só considerar que grupos específicos são ou passam por certas coisas. Ou que só os termos da sigla LGBTQIAPN+ merecem atenção. Existem infinitos rótulos possíveis para orientações e identidades de gênero, e não queremos ignorar que, por exemplo, a falta de reconhecimento de pessoas que sentem atração por mais de um gênero afeta mais do que pessoas bi. Afinal, existem pessoas pan, toren, trixen, poli, omni, urânicas, netúnicas, penúlti

No entanto, antes de começar as listas, quero pontuar que estes termos mais abrangentes são simplesmente mais adequados em muitas situações, mas não necessariamente eliminam a utilidade ou necessidade de termos já existentes. Por exemplo, se alguém fala de como especificamente a orientação bi é retrógrada e desnecessária, e que pessoas deveriam usar poli, pan ou outras identidades multi, a pessoa está sendo bimísica, afinal, isso realmente só afeta pessoas bi.

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Discussão: como criar crianças sendo NHINCQ+

Sabemos que vivemos num mundo intolerante contra pessoas NHINCQ+.

Bebês são designades como homem ou mulher ao nascimento, sendo que mesmo no caso de bebês intersexo, é obrigatório o registro como um sexo binário.

A maior parte dos nomes é considerada “nome de mulher” ou “nome de homem”, e a maior parte das roupas também carrega essa divisão. Ainda que crianças não tenham nenhuma característica física perceptível que determinaria seu gênero dentro das normas cissexistas, pessoas em volta vão forçar gêneros e/ou papeis de gênero em crianças e ensinar cada criança a fazer o mesmo.

Ou seja, uma criança com o nome de Bruno vestida com calças largas e camiseta de super-herói provavelmente vai ser tratada com a linguagem o/ele/o, vai ser chamada de “homenzinho”, vai ser pressionada a ver meninas da mesma idade como “possíveis namoradinhas”, vai ser colocada “no lado dos meninos” quando houver esse tipo de divisão, e por aí vai.

Também é bastante possível que essa criança não será ensinada a usar algum tipo de linguagem neutra para se referir a pessoas que não conhece; que não será ensinada que alguns meninos gostam de meninos e que algumas meninas gostam de meninas; que é possível não gostar de ninguém desse “jeito especial” e que também é possível gostar de meninos E meninas E possivelmente de pessoas que não se encaixam nessas palavras também. Assim como provavelmente não vai aprender sobre a diferença entre gênero e sexo, sobre pessoas trans, sobre pessoas NB, sobre pessoas intersexo.

Mas algumas pessoas podem ter filhes e querer ensinar ao menos sobre algumas dessas coisas, pois querem que sues filhes cresçam respeitando essas diferenças, ou, principalmente, porque são pessoas NHINCQ+ e querem rebater essas mensagens nocivas da sociedade.

E então? Se você tem filhes, como está sendo a criação delus, em relação a isso? Se você pretende ter, como tratará desses assuntos? E, mesmo se não pretende ter, o que você acha que faria? Mande seu comentário abaixo!

Assunto sugerido por Cas. Postagem por Ás.

Olá mundo!

Esta é a primeira postagem do blog Ajuda NHINCQ+. A sigla NHINCQ+ significa Não-Hétero, Intersexo, Não-Cis, Queer/Questionando e mais identidades similares. Ou seja:

NH inclui qualquer pessoa que não se considere somente/totalmente hétero, ou que está completamente fora disso. Isso inclui pessoas gays, bissexuais, sáficas, panromânticas, assexuais, arromânticas, multi, pomossexuais, quoirromânticas, heteroflexíveis, diamóricas, abro, e de muitas outras orientações.

Definimos “somente/totalmente hétero” como pessoas de um gênero binário que se atraem apenas por pessoas do outro gênero binário em todas as orientações relevantes, com bastante frequência e sem condições relevantes.

I inclui qualquer pessoa que não seja categorizada facilmente como alguém do “sexo feminino” ou do “sexo masculino” num sentido médico, sem ter passado por nenhuma modificação corporal para chegar em tal estado.

Uma pessoa com cromossomos XXX ou com níveis hormonais diferentes do esperado para seu corpo sem ter feito nenhum tipo de terapia hormonal é intersexo. Uma pessoa que fez cirurgia para retirar testículos ou que tomou bloqueadores hormonais não é intersexo por conta disso (mas é possível fazer esses procedimentos sendo intersexo).

Notem que existem dezenas de variações corporais que são agrupadas dentro do rótulo intersexo: portanto, dizer que intersexo é um “terceiro sexo” está errado. E nem todas as variações intersexo fazem do corpo de alguém “entre os dois tipos de corpos perissexo” (perissexo significa não-intersexo): existem pessoas com cromossomos XYY, com cromossomos XXX, que nasceram com vagina mas sem clitóris, entre outras.

NC inclui qualquer pessoa que diverge parcialmente ou completamente do gênero que lhe foi designado ao nascimento. Ou seja, pessoas trans, não-binárias, gênero-fluido, demigênero, bigênero, poligênero, sem gênero, etc.

Também inclui outras pessoas que não são percebidas como cisgênero pela sociedade branca/ocidental, como:

• Pessoas que se identificam com o gênero que lhes foi designado ao nascimento, mas que são tratadas como se seus corpos não fossem adequados para seus gêneros (como pessoas ipsogênero – intersexo, mas que se identificam com o gênero designado ao nascimento – por exemplo);

• Pessoas que possuem identidades de gênero que não são equivalentes a “homem cis” ou “mulher cis”, mesmo que suas identidades sejam aceitas/atribuídas dentro de sues própries culturas/sociedades/povos.

Q inclui não só qualquer pessoa NH/I/NC que queira se dizer queer, como também pessoas que preferem se definir como queer ao invés de se definir pelo que não são (não-cis/não-hétero), ou que se sentem a vontade de se dizer queer sem se sentirem à vontade em se dizerem NH/I/NC.

Queer é um termo para pessoas que divergem das normas sociais vigentes sobre gênero e atração. Usar queer não significa que a pessoa não pode se definir de outras formas (como lésbique, polissexual ou andrógine, ou até mesmo como mulher ou cis), e não significa que a pessoa estudou teoria queer. A identidade veio bem antes da teoria.

Q também inclui pessoas que estão questionando, ou seja, que não sabem se são cis ou não, se são hétero ou não, se são perissexo (não-intersexo) ou se são intersexo.

+ inclui pessoas que também sofrem sob cissexismo/heterossexismo/diadismo ou sob opressões relacionadas, mas que não se sentem nem confortáveis em se dizer NH/I/NC e nem confortáveis em se dizer queer.

A proposta da comunidade NHINCQ+ (que se pronuncia “nhin-que mais”) é um convite. Um convite para pessoas que sofrem de opressões similares, ainda que possam ser bem diferentes entre si.

Ninguém tem a obrigação de usar NHINCQ+ para si, mesmo que caiba em alguma parte da descrição. E ninguém tem a obrigação de usar NHINCQ+ como substituição para LGBT(QIAPN)+ ou para queer, caso não queiram.

Mas este é um espaço para pessoas que se propõem a se dizer NHINCQ+.